terça-feira, 3 de março de 2015

Processos Fotográficos do Século XIX – Ferrótipo, Fotos de Guerra, Fotopintura e Fotogliptia

1852: Fotografia (daguerreótipo) da lua, obtida por John Adams Whipple, de Massachusetts, através de um telescópio da Universidade de Harvard. Ele é exibido na Grande Exposição de Londres.
   

1853: Hamilton Smith e Archer desenvolvem o ferrótipo ou tintipo, processo fotográfico direto sobre placa metálica, semelhante ao ambrótipo, pelo qual se obtém uma imagem única, vista em positivo, usando-se uma camada de colódio úmido sobre uma fina placa de ferro, revestida de esmalte preto ou marrom para que a imagem seja vista em positivo.

1853: J. B. Dancer, na Grã-Bretanha, desenvolve a câmara fotográfica estereoscópica de duas objetivas.
 

1854: André Adolphe Eugène Disdéri (1819-1890), o criador do formato carte de visite (6 X 9,5 cm aproximadamente) patenteia seu invento na França com câmera de quatro lentes. Reduzindo a um quinto o preço do retrato fotográfico, o modismo do carte de visite transforma a fotografia em consumo de massas como uma indústria. Prática do retoque do negativo:
“As caras são cuidadosamente alisadas, não ficam rugas nem defeitos” (SOUGEZ, 2001, p. 122-123).
  
“A carte de visite permitia que até oito pequenos retratos diferentes fossem tirados em uma só placa, o que fazia com que cada pose fosse mais rápida, mais barata e mais fácil de compor, pois oito imagens podiam ser produzidas de uma só vez”.Tudo sobre fotografia (2012, p. 101)

 Cartes de visite frisavam uma identidade socialmente construída, localizada não no rosto, como um espelho da alma, mas na apresentação de corpo inteiro”.Tudo sobre fotografia (2012, p. 102)

 1855: Roger Fenton (1819-1869), James Robertson e Carol Popp de Szathmari fazem as primeiras fotos de guerra, documentam a Guerra da Criméia sob o patrocínio do editor Thomas Agnew, é a primeira “missão fotográfica” do gênero, para um jornal inglês. Levou dentro de uma carroça 5 câmaras, 700 chapas de vidro, caixas de produtos químicos, tendas para dormir e comida.
A cobertura fotográfica das guerras está totalmente ligada ao fotojornalismo, uma vez que a primeira fotorreportagem se deve ao trabalho realizado no século XIX da Guerra da Criméia (1854-1855), em que Roger Fenton, James Robertson e Carol Popp de Szathmari utilizando câmera escura e o processo do colódio úmido capturaram cenas que mostravam os soldados descansando e se alimentando, ao invés de fotografias de batalha, isto em função da encomenda feita pelo editor do jornal inglês The Illustrated London News, chamado Thomas Agnew. Esta guerra ocorreu em função de que a Grã-Bretanha, a França e a Turquia estavam lutando contra a Rússia na península da Criméia, no Mar Negro, que buscava expansão territorial. Com o retorno deste ato em 2014” (TOREZANI, 2014, p. 02).
Roger Fenton.

Cossack Bay, Balaklava, 1855.

A fotografia do inglês Fenton (1819-1869), que foi considerado o primeiro repórter fotográfico da história (SOUGEZ, 2001), intitulada Vale da Sombra da Morte, mostrava um campo de batalha sem cadáveres, mas cheio de balas de canhões e projéteis que se estendiam como um rio” (TOREZANI, 2014, p. 02).
“Vale da sombra da morte”, Roger Fenton, 1855.

“Os negativos de vidro em colódio úmido de Fenton eram difíceis de produzir e precisavam ser preparados no escuro, pouco antes da exposição, e revelados logo em seguida, antes que o éter e o álcool evaporassem. Uma sala escura portátil era necessária para que ele pudesse trabalhar nos campos de batalha de Crimeia, de modo que Fenton adaptou a antiga caminhonete de entregas de um comerciante de vinhos”.Tudo sobre fotografia (2012, p. 52-53)

1858: O francês Nadar (Gaspar Félix Tournachon, 1820-1910), sobrevoando Paris no interior de um balão, realiza a primeira fotografia aérea do mundo. Foi um fotógrafo que usou a câmera criativamente, como algo diferente da função retratista. Acentuava as poses e os gestos das pessoas que fotografava querendo mostrar o caráter da pessoa. Nadar foi responsável, também, pelas primeiras fotografias subterrâneas, nas catacumbas e esgotos de Paris, utilizando pela primeira vez a luz elétrica e manequins substituindo as pessoas, devido a excessivo tempo de exposição, que era em média de 18 minutos.
  

A atriz Sarah Bernhardt, fotografada por Nadar em 1864.

1861: O engenheiro químico Alphonse-Louis Poitevin (1819-1882) registra o processo à carvão que, além de facilitar o retoque da fotografia, caracterizava-se pela grande estabilidade da imagem. As fotografias a carvão (ou au charbon) têm esse nome porque no seu processamento utilizava-se uma camada de gelatina bicromatada sobre o papel fotográfico à qual se adicionava como pigmento o carvão vegetal em pó. Em 1862, Poitevin ganhou o prêmio de 2000 francos da Sociedade Francesa de Fotografia e, em 1867, ganhou outro prêmio no valor de 8000 francos por conta da fotolitografia.
  

1861: Thomas Sutton inventa a reflex. A câmara possui uma lente simples.
  

1861: Na Guerra Civil que convulsiona os Estados Unidos, uma legião de fotógrafos, liderados por Mathew Brady (1823-1896), registra o conflito. Durante a Guerra Civil Americana, mais de 1.400 fotógrafos realizam imagens relacionadas ao conflito. A maioria delas é feita do lado da União.
Mas, o grande evento que foi fotografado no século XIX foi a Guerra Civil Americana ou Guerra de Secessão (1861-1865), coberto por inúmeros fotógrafos entre eles Mathew Brady (1823-1896), Alexander Gardner (1821-1882), George Barnard (1819-1902) e Timothy O’Sullivan (1840-1882). Esta guerra apresenta por um lado os estados da União (estados livres do norte, lado industrial) e do outro a Confederação (estados do sul, escravocrata), os estados do norte ganharam a guerra e aboliram a escravidão no país, que teve como impulsionador da causa o presidente Abraham Lincoln” (TOREZANI, 2014, p. 2-3).
Mathew Brady

Uma colheita da morte, Gettysburg, Pensilvânia
Fotografia de Timothy H. O’Sullivan, 1863.

1863: Julia Margaret Cameron (1815-1879), a mais notável retratista ‘inglesa’ do século passado, nascida em Calcutá, realiza um série de fotografias da sua família e de amigos num estilo próximo dos pintores. Utilizava de maneira muito criativa a luz e começou a fotografar aos 48 anos. Fotografou pessoas famosas, como Charles Darwin e Sir John Herschel. Cameron costumava retratar as mulheres como heroínas trágicas, com sua beleza triste e firmeza moral. O mais importante retrato foi de Annie Philpot (1864). A foto é Beatrice de 1866 foi em homenagem a Beatrice Cencil que foi enforcada em Roma em 1599 por ter encomendado a morte de seu pai, Conde Francesco, que abusava dela. O público viu em sua figura um símbolo de resistência aos abusos de poder da aristocracia masculina.
  
Annie Philpot                                  Beatrice

1864: Walter Bentley Woodbury inventa um processo de reprodução fotomecânica conhecida por woodburytipia ou fotogliptia. Empregando uma chapa de chumbo como matriz com gelatina bicromatada. Através de procedimentos fotomecânicos variados, a fotogliptia era um método de impressão complexo que resultava em imagens de alta qualidade, tendo sido empregado comercialmente a partir da década de 1870. O processo permitia tirar mais de 15000 cópias a partir da matriz primitiva, mas era de difícil manejo e ficava dispendioso.
    

 

1869: O francês Louis Ducos du Hauron (1837-1920) tira a primeira fotografia colorida e escreve livros sobre o sistema da fotografia colorida: “Memória sobre as sensações luminosas” e “Solução física do problema da reprodução das cores pela fotografia”. A solução baseava-se na decomposição das três cores primárias através de corantes (vermelho, amarelo e azul) por síntese aditiva.
   

Natureza-morta com galo, 1879.

Dica de Filme:

Sinopse: Baseado no livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin, o filme se passa durante a Guerra Civil norte-americana, que acabou com a vitória do Norte. Ao mesmo tempo em que se preocupava com o conflito, o o 16º presidente norte-americano, Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis), travava uma batalha ainda mais difícil em Washington. Ao lado de seus colegas de partido, ele tentava passar uma emenda à Constituição dos Estados Unidos que acabava com a escravidão.
Direção: Steven Spielberg, 2013.

Referências:
HACKING, Juliet (editora geral). Tudo sobre fotografia. Tradução de Fabiano Morais, Fernanda Abreu e Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. Título original: Photography: the whole story.
OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
REVISTA FHOX. Dez. 1999/jan. 2000. Ano XI. N. 58. São Paulo: Fhox, 1999.
SENAC. DN. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2004.
SOUGEZ, Marie-Loup. História da Fotografia. Tradução de Lourenço Pereira. Lisboa: Dinalivro, 2001. Título original: Historia de la Fotografia.
TURAZZI, Maria Inez; FUNARTE. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839/1889). Rio de Janeiro: FUNARTE: Rocco, 1995.
TOREZANI, Julianna Nascimento. A fotografia de conflitos: da Primeira Guerra Mundial ao Ataque ao World Trade Center. In: Anais do XXXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Foz do Iguaçu, PR: Intercom, 2014. Disponível em:http://www.portcom.intercom.org.br/navegacaoDetalhe.php?id=56193









segunda-feira, 2 de março de 2015

Processos Fotográficos do Século XIX – Estereoscopia, Panorama, Albumina, Colódio Úmido, Ambrótipo

1840: Na cidade de Nova York, Alexandre Wolcott patenteou a primeira máquina fotográfica e abriu o primeiro estúdio de retratos do mundo, dotado de uma câmara engenhosa, com espelho côncavo, publicado em março pelo New York Sun.

1840: Sir Charles Whearstone, físico inglês, cria uma engenhoca denominada visor estereoscópio, para visualizar fotografias em tridimensionalidade.

Daguerreótipo estereoscópico, Antoine Claudet. 

1840: Hippolyte Bayard fez o primeiro autorretrato e o primeiro nu intitulada O Afogado. Como ele não conseguiu apoio do governo francês pelas suas experiências na fotografia, criou através desta imagem fazer um protesto. No verso da foto tinha o seguinte texto:
“O cadáver do senhor que vocês vêem é do senhor Bayard, inventor do procedimento cujos maravilhosos resultados acabam de vê ou verão. [...] A Academia, o rei e quantos viram os seus desenhos, admiraram-nos como vocês o estão admirando agora. Valeu-lhe muita honra e não lhe rendeu um centavo. O governo, que deu demasiado ao senhor Daguerre, disse que não podia fazer nada pelo senhor Bayard e o infortunado afogou-se”.
“Bayard abriu muitas possibilidades para a fotografia: a imaginação, ficção e invenção, fazendo da sua prática o lugar da criação. Assim, a partir do autorretrato, a fotografia se viu livre para inventar e criar imagens do passado, do cotidiano e da subjetividade do sujeito”.
Camila Leite de Araújo (2013, p. 11)

1841: Na cidade de Londres, Richard Beard (1801-1885) abre o primeiro estúdio de retratos da Europa. No mesmo ano os irmãos Mayer abrem um estúdio em Paris.
Jabez Hogg, an operator for Richard Beard, taking a daguerreotype portrait
of Mr Johnson in London, c1842.


1843: Anna Atkins (1779-1871) publica uma edição ilustrada de British Algae: Cyanotype Impressions (Algas britânicas: impressões em cianotipia), o primeiro livro ilustrado com fotografias. A cianotipia é feita com sais de ferro. Atkins utilizou algas secas achatadas como negativos, posicionando-as em folhas de papel fotossensível sob a luz do sol.
   

1844: O primeiro livro ilustrado com fotografias a ser distribuído comercialmente, The Pencil of Nature (O lápis da natureza), é publicado por Fox Talbot e editado em 6 volumes, com 24 talbotipos contendo a explicação de seu trabalho e estabelecendo padrões de qualidade. “O texto relatava a vida e as descobertas do autor”. Existe um exemplar na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro.
    “Sinto alegria em ser o primeiro a transpor uma montanha”, prefácio de Talbot.

1844: Friedrich von Martens introduz a primeira câmara panorâmica para daguerreotipia, cujas lentes se movem em ângulo de 150 graus aproximadamente. Martens faz a primeira fotografia panorâmica do mundo feita em placa de aço: O Sena, a margem esquerda e a Île de la Cité.
“Um mecanismo automático girava a lente ao longo de um arco de 150 graus, ‘desenhando’ a imagem sobre uma placa de metal, que era côncava, de modo a conservar sempre a mesma distância em relação à lente”.Tudo sobre fotografia (2012, p. 32) 
1847: Abel Niépce de St. Victor (1805-1870), sobrinho de Joseph Niépce, inventa o negativo de albúmen sobre vidro. Ele desenvolve o processo da albumina que utiliza uma placa de vidro coberta com clara de ovo de galinhas velhas (cuja albumina era mais fina e adesiva), sensibilizada com iodeto de potássio e nitrato de prata. A proteína impedia que a imagem migrasse da camada fotossensível e se esfumasse nas imperfeições do papel. A albumina é mais preciosa em detalhes e o tempo de exposição é de 15 minutos. 

1850: Louis Désiré Blanquart-Évrard (1802-1872) concebe o uso do papel à base de albúmen para a realização de cópias positivas e serve para fixar o nitrato de prata no papel. Solúvel em água e transparente, o albúmen constitui uma camada adesiva que mantém em suspensão os sais de prata sobre o papel (ou outra base como o vidro) onde se forma a imagem.

1851: Gustave Le Gray (1820-1862), aperfeiçoando o calótipo (de Fox Talbot), inventa o processo do negativo sobre papel encerado seco, obtendo maior nitidez da imagem. O negativo de papel era tratado com cera antes de ser sensibilizado com sais de prata e exposto à ação da luz.

The Great Wave, Sete (1856-1859) de Gustave Le Gray, registro feito próximo a cidade de Montpelllier foi vendida por US$ 838.000. Albúmen a partir de dois negativos de vidro em colódio úmido.

1851: Sir Frederick Scott Archer (1813-1857), escultor inglês, inventa o processo do negativo à base de colódio úmido (mistura de pó de algodão, pólvora, álcool e éter), era usado como veículo para unir sais de prata as placas de vidro, menos dispendioso que os anteriores e o resultado era de ótima qualidade. A placa é exposta ainda úmida na câmara escura e o tempo de exposição é de 30 segundos. Por conta do éter a preparação evaporava rapidamente. Este processo é dez vezes mais sensível que a albumina.
   

1851: Archer e Peter Wickens Fry criam o Ambrótipo ou Ambrotipia, desenvolvido a partir do processo do colódio úmido. Processo fotográfico direto pelo qual se obtém uma imagem única, vista em positivo, usando-se um negativo de vidro de colódio úmido subexposto, pintado de preto na parte de trás, ou colocado sobre um fundo negro, para a criação do efeito de imagem positiva. Apresentava-se de forma semelhante ao daguerreótipo, mas seu custo era bem menor.
Ambrotipo sem o fundo escuro na metade da imagem, para mostrar o efeito positivo/ negativo.


Dica de Filme: 

Sinopse: Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie (Audrey Tautou) muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete. Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo ­ e é assim que encontra Dominique (Maurice Bénichou). Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Contudo, ainda sente falta de um grande amor.
Direção: Jean-Pierre Jeunet, 2002.

Referências:
ARAÚJO, Camila Leite de. O desejo de fotografias: Bayard e seu autorretrato de mentiras e bronze de verão. In: Ícone (Programa de Pós-graduação em Comunicação). v.15. n. 1, agosto de 2013. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2013.
HACKING, Juliet (editora geral). Tudo sobre fotografia. Tradução de Fabiano Morais, Fernanda Abreu e Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. Título original: Photography: the whole story.
OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
REVISTA FHOX. Dez. 1999/jan. 2000. Ano XI. N. 58. São Paulo: Fhox, 1999.
SENAC. DN. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2004.
SOUGEZ, Marie-Loup. História da Fotografia. Tradução de Lourenço Pereira. Lisboa: Dinalivro, 2001. Título original: Historia de la Fotografia.
TURAZZI, Maria Inez; FUNARTE. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839/1889). Rio de Janeiro: FUNARTE: Rocco, 1995.

domingo, 1 de março de 2015

Niépce, Daguerre e Talbot – o nascimento da fotografia no século XIX

1816: O militar e cientista francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) influenciado pelas técnicas utilizadas para fazer gravuras, associou seus estudos à técnica de água-forte (usando placa metálica), conseguindo bons resultados em cópia de contato na obtenção de matrizes para impressão (litografia). Porém, esses resultados foram poucos práticos e Niépce viu-se obrigado a procurar outras substâncias que pudessem registrar a imagem formada pela câmera obscura.

1819: O cientista John Frederick William Herschel (1792-1871), demonstra as propriedades do hipossulfeto de sódio, como fixador para as fotografias.
Retrato feito por Julia Margaret Cameron, 1867

1826: Utilizando uma câmara escura Niépce realiza com sucesso aquela que é considerada a primeira fotografia permanente do mundo, após oito horas de exposição de uma placa de estanho sensibilizada com betume da Judéia (espécie de asfalto existente na região da Palestina), por fim submeteu esta placa a um banho de essência de alfazema. Niépce chamou a técnica de heliografia, isto é, “escrita com luz solar”, a imagem mostra os telhados do vilarejo vistos de sua casa de campo de Le Gras, na vila de Saint Loup de Varenne, perto de Chálon-sur-Saóne, sua cidade natal na França. A obra encontra-se na Harry Ransom Center, na Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos.
Vista de Gras, França 

1827: Niépce associa-se ao pintor Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851), inventor do diorama, que consistia em um teto de efeitos a base de luz de velas. A sociedade não prospera e após a morte de Niépce, em 1833, Daguerre continua o trabalho, substituindo o betume da Judéia por prata. Daguerre descobre a fotosensibilidade do iodeto de prata, ao expor na câmara escura placas de cobre recobertas com prata polida e sensibilizadas sobre o vapor de iodo, formando uma capa de iodeto de prata sensível à luz. O processo é chamado de daguerreótipo (ou daguerreotipia).
“A daguerreotipia aparentava-se conceitualmente à pintura por seu caráter de imagem única. Por isso não é de se estranhar que o daguerreótipo tenha obtido sucesso notável junto à burguesia emergente da época, ávida por símbolo de status capaz de aproximá-la da nobreza, dona do privilégio de ter seus retratos únicos eternizados pelos pintores” (SENAC, 2004, p. 160).


1833: Início das experiências do escritor, cientista, poliglota, viajante e ex-membro do parlamento inglês William Henry Fox Talbot (1800-1877), que culminaram de uma técnica que permitia o registro de uma imagem sobre papel sensibilizado por ação da luz emulsionado de nitrato de prata.

1835: Talbot, na Inglaterra, inventa um processo denominado Calótipo ou Talbótipo (Calotipia ou Talbotipia) e produz fotografias permanentes. Um processo semelhante aos anteriores, mas, quando exposta a luz, produz um negativo e através da técnica de contato obtém-se o positivo. As cópias fotográficas, obtidas por contato, eram realizadas em papel salgado, com uso de um “sanduíche” de vidro em um chassi da madeira exposto à luz do sol. Usava como fixador o hipossulfeto de sódio.
  

1837: Daguerre faz parceira com seu cunhado, Alphonse Giraux, para construir comercialmente o daguerreótipo. É o início da indústria fotográfica.

“O ateliê do artista, o primeiro daguerreótipo a ser exposto, revelado e fixado com sucesso” (TUDO SOBRE FOTOGRAFIA, 2012, p. 18).

1839: Daguerre vende sua idéia ao governo francês por uma pensão vitalícia de 6 mil francos – padronizava os processos químicos de revelação e fixação da imagem. No dia 19 de agosto a descoberta é descrita publicamente, em reunião conjunta das Academias de Ciências e de Belas-Artes da França (Académie des Beaux-Arts e Académie des Sciences) com o discurso de Jean François Dominique Aragô. Por isso, no dia 19 de agosto é comemorado o Dia do Fotógrafo e Dia Mundial da Fotografia.


Na Inglaterra, John Herschel, em uma conferência na Royal Society, emprega as expressões “fotografia”, “negativo” e “positivo”.

O primeiro ser humano a aparecer numa fotografia ocorre quando Daguerre fotografa do alto um boulevard parisiense. Um homem pára numa esquina para engraxar os sapatos, sem saber que será a primeira vítima da objetiva. 
Boulevard du Temple, Paris, Daguerre, 1839.

Dica de Filme:
Sinopse: Nos primeiros anos do século XIX, em meio ao radicalismo da Inquisição e à iminente invasão da Espanha pelas tropas de Napoleão Bonaparte (Craig Stevenson), o gênio artístico do pintor espanhol Francisco Goya (Stellan Skarsgard) é reconhecido na corte do Rei Carlos IV (Randy Quaid). Inés (Natalie Portman), a jovem modelo e musa do pintor, é presa sob a falsa acusação de heresia. Nem as intervenções do influente Frei Lorenzo (Javier Bardem), também retratado por Goya, conseguem evitar que ela seja brutalmente torturada nos porões da Igreja. Estes personagens e os horrores da guerra, com os seus fantasmas, alimentam a pintura de Goya, testemunha atormentada de uma época turbulenta. 
Direção: Milos Forman, 2007.


Referências:
HACKING, Juliet (editora geral). Tudo sobre fotografia. Tradução de Fabiano Morais, Fernanda Abreu e Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. Título original: Photography: the whole story.
OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
REVISTA FHOX. Dez. 1999/jan. 2000. Ano XI. N. 58. São Paulo: Fhox, 1999.
SENAC. DN. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2004.
SOUGEZ, Marie-Loup. História da Fotografia. Tradução de Lourenço Pereira. Lisboa: Dinalivro, 2001. Título original: Historia de la Fotografia.
TURAZZI, Maria Inez; FUNARTE. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839/1889). Rio de Janeiro: FUNARTE: Rocco, 1995.