terça-feira, 26 de maio de 2015

História da Fotografia no Brasil - Século XX - De 1961 a 1978

1961: Gordon Parks (1912-2006) fez um giro pela América Latina com o projeto de fotografar a miséria e a pobreza para a revista Life Magazine com a série Crisis in Latin América”. A matéria “Uma família das favelas do Rio – a miséria, inimiga da liberdade” mostra o cotidiano de uma família branca e pobre em que Flávio cuida de seus irmãos mais novos na ausência dos pais, com a chamada “Um menino que leva o peso do mundo”.

Parks acompanha a vida de Flávio e o reencontra em 1976, publicando em 1978 o livro FlavioOs leitores norte americanos fazem doações a Life para ajudar Flávio e sua família. Parks compra uma casa de alvenaria em um bairro de classe média, roupas e alimentos. 

Flávio é levado para os Estados Unidos para tratar a asma e mora com uma família portuguesa.

“A edição redentora traz Flávio na capa, em página colorida, sorrindo, deitado em uma cama com brancos lençóis, agarrado a um cachorrinho de pelúcias e o título da capa é a resposta aos dedicados e altruístas leitores norte-americanos da revista: O Resgate de Flávio: Americanos o trazem da favela do Rio para ser curado”.
Fernando de Tacca, 2006

Em resposta as matérias sobre Flávio e sua família na revista Life, a revista O Cruzeiro envia para Nova York o fotógrafo Henri Ballot para mostrar uma família branca porto-riquenha pobre moradora de um cortiço. 

O título da matéria é “O Repórter Henri Ballot descobre em N. York um novo recorde americano: MISÉRIA”. 

Ballot: “Para os leitores que não viram a reportagem de Life’, queremos esclarecer que seguimos, propositalmente, o mesmo roteiro e mesma paginação daquela revista”.

1964: “Durante o regime militar que se instalou no Brasil com o golpe de 1964, a imprensa foi alvo da censura política. Muito já se escreveu sobre os versos de Camões que substituíam os trechos censurados de matérias do jornal O Estado de S. Paulo; as receitas de doces e salgados, que preenchiam os espaços vazios remanescentes dos cortes impostos pelos censores do Jornal da Tarde, ou os ‘diabinhos’ que exerciam a mesma função na revista Veja’”.

Boris Kossoy, 2007, p. 124-126
Fotografia feito pelo fotógrafo Evandro Teixeira, Rio de Janeiro, 1968.

A Tribuna da Imprensa, Pasquim, Opinião, Movimento, entre outros órgãos de imprensa, além do teatro, da música e das artes em geral, igualmente estiveram sob a mira da censura. Jornalistas, chargistas, fotógrafos buscavam ‘fórmulas’ que pudessem driblar as arbitrariedades da repressão”.
Boris Kossoy (2007, p. 126)

1965: Câmara Rio-400 - homenagem aos 400 anos do Rio de Janeiro e precursora da fotografia de amador no Brasil.

1965: O Jornal da Tarde retoma a tendência de abrir espaço para a fotografia. Os jornalistas Mino Carta e Murilo Felisberto são os responsáveis por essa renovação visual, que tem como principais fotógrafos Jorge Bodansky, Oswaldo Maricato e Geraldo Guimarães.

1966: Surgimento da revista Realidade da Editora Abril. Uma revista que praticou jornalismo de grandes reportagens com texto e foto, trabalhando com um estética documental. Buscava registros da realidade sobre temas como racismo, drogas, liberação sexual, casamento de padres, conflitos internacionais. Circulou até janeiro de 1976.
Capa da primeira edição da revista "Realidade“.

1968: De agosto 1968 a julho de 1976, funcionou em São Paulo, a Enfoco - Escola de FotografiaAo ser demitido da sucursal do Jornal do Brasil, em maio de 1968, Cláudio Kubrusly criou a EnfocoVários fotógrafos que, posteriormente, se destacaram no cenário da fotografia brasileira passaram pelos bancos da Enfoco.

1968: Lançamento da revista Veja da Editora AbrilEra uma revista semanal como a Time norte-americana, com a proposta de trazer informação e interpretação.

1970:  Pelé comemora o tri-campeonato na Copa do Mundo do México, em 1970, a seleção brasileira ganhou da Itália. Na foto abaixo, "Pelé, Tostão (à esquerda) e Jairzinho comemoram um gol do melhor jogador do mundo" (KOSSOY; SCHWARCZ, 2012, p. 340). Foto de Orlando Abrunhosa.

1976: Boris Kossoy apresenta as experiências de Hércules Florence no III Simpósio Internacional de Fotografia da Photographic Historical Society of Rochester (Estados Unidos), comprovando seu pioneirismo.

Dica de Filme:

Sinopse:O jornalista Fernando (Pedro Cardoso) e seu amigo César (Selton Mello) abraçam a luta armada contra a ditadura militar no final da década de 60. Os dois alistam num grupo guerrilheiro de esquerda. Em uma das ações do grupo militante, César é ferido e capturado pelos militares. Fernando então planeja o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick (Alan Arkin), para negociar a liberdade de César e de outros companheiros presos.
Direção: Bruno Barreto, 1997.

Referências:

BUITONI, Dulcilia Schroeder. Fotografia e jornalismo: a informação pela imagem. São Paulo: Saraiva, 2011. (Coleção Introdução ao Jornalismo; v. 6).

KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007.

KOSSOY, Boris; SCHWARCZ, Lilia Moritz. Um olhar sobre o Brasil: a fotografia na construção da imagem da nação: 1833-2003. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009.

TACCA,  Fernando de. O Cruzeiro versus Paris Match e Life Magazine: um jogo especular. In:In: Líbero. Ano IX, n. 17, Jun. 2006. Disponível em: http://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2014/05/O-Cruzeiro-versus-Paris-Match-e-Life-Magazine.pdf

segunda-feira, 25 de maio de 2015

História da Fotografia no Brasil - Século XX - De 1945 a 1960

1945: O ano de 1945 foi marcado também pelo surgimento de um outro trabalho de ruptura. Tratava-se de Thomas Farkas que ingressou no Foto Cine Clube Bandeirante nesta época. Através de um ângulo de tomada não usual, ele bombardeia o nosso senso de equilíbrio. Se dedicou ao cinema amador.


Thomaz Jorge Farkas (Budapeste, Hungria 1924 - São Paulo 2011). Fotógrafo, professor, produtor e diretor de cinema. Em 1930, imigra com a família para São Paulo, onde seu pai é sócio fundador da Fotoptica, uma das primeiras lojas de equipamentos fotográficos do Brasil. Associa-se ao Foto Cine Clube Bandeirantes (FCCB) em 1942, e começa a expor em salões nacionais e internacionais. Na década de 1940, fotografa companhias de balé, esportes, paisagens e cenas do cotidiano urbano de São Paulo e do Rio de Janeiro.


Realiza, em 1949, a mostra individual “Estudos Fotográficos”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), e sete imagens suas passam a integrar a coleção do Museum of Modern Art (MoMA). Faz experimentações em cinema, freqüenta os estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Gradua-se em Engenharia Mecânica e Elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) em 1953. De 1957 a 1960, fotografa a construção e a inauguração de Brasília. 


Entre 1964 e 1972, atua como produtor, patrocinador e, algumas vezes, como diretor de cinema e fotografia em documentários sobre a cultura popular no interior do Brasil no projeto conhecido como Caravana Farkas, que reúne vários cineastas. Em 1997, lança o livro Thomaz Farkas, Fotógrafo e realiza exposição homônima no MASP com trabalhos produzidos nos anos 1940 e 1950. 


Em 2005, a Pinacoteca do Estado de São Paulo (PESP) inaugura a exposição Brasil e Brasileiros no Olhar de Thomaz Farkas, que apresenta, pela primeira vez, imagens coloridas feitas nas décadas de 1960 e 1970. No ano seguinte, parte dessas fotos é reunida no livro Thomaz Farkas, Notas de Viagem


1949: Geraldo de Barros nasceu em Chavantes, São Paulo em 1923 e faleceu em 1998. Fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. É um dos fundadores do Grupo 15, ateliê instalado no centro da cidade em 1947, onde constrói um laboratório fotográfico. Ingressou no Foto Cine Clube Bandeirante em 1949, já com uma experiência anterior em artes plásticas.

Fez fotos de cenas montadas e fotografou objetos, enfatizando o ritmo de seus elementos constitutivos. Múltiplas exposições, recortes, superposições e desenhos sobre o negativo, montagens fotográficas, cortes nas cópias já prontas demonstram a linguagem de Barros. Com Thomaz Farkas, em 1949, cria o laboratório e os cursos de fotografia do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP.
 
Esquerda: A menina do sapato, 1945.
Direita: Homenagem a Stravinsky , 1949.

Geraldo de Barros organizou a exposição “Fotoformas”, cujo título é referência à Gestalt, realizada no MASP em 1950, trouxe a público um trabalho precursor da arte de vanguarda no Brasil. Nesta exposição as fotos foram combinadas sobre suportes especialmente projetados, que além de modificarem a percepção das fotos isoladas, propunham uma organização construtiva do espaço num sentido mais amplo.

1950: O fotojornalismo recebe grande impulso com a revista O Cruzeiro e o Jornal do Brasil, no mesmo ano em que a fotografia é declarada “utilidade pública” em São Paulo.

1951: José Oiticica Filho participou do Photo Club Brasileiro no começo dos anos 1940 e depois participou do Foto Cine Clube Bandeirante. Criou montagens fotográficas, como a obra “O túnel” (abaixo), de 1951, com o resultado final a partir de duas fotos. José Oiticica Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1906 e faleceu em 1964, filho de um pensador anarquista e filólogo José Oiticica. Pai dos artistas visuais Hélio Oiticica César Oiticica.

Conseguiu trazer para a fotografia brasileira um frescor ainda hoje revolucionário. Foi fotógrafo, pintor, professor, matemático e entomologista no Museu Nacional. Nesta atividade via no microscópio coisas que o maravilhavam e forma essas imagens visualizadas é que desencadearam a necessidade de aprender fotografia. Foi incluído numa lista dos melhores fotógrafos do mundo, constituída pela Fédération Internationale d'Art Photographique.

Em Composição Óbvia (abaixo), de 1955, um marco em seu trabalho, retoca inteiramente a foto, realçando as formas geométricas. Experimenta vários processos para atingir a abstração.

Vídeo sobre o foto Cine Clube Bandeirante com o Prof. Rubens Fernandes Junior.

1951: José Medeiros, discípulo de Jean Manzon, fotografou cerimônias de candomblé, em um registro considerado como etnográfico. A reportagem mais famosa foi “As noivas dos deuses sanguinários”, publicada em 15 de novembro de 1951, sobre a iniciação de jovens mães de santo no Terreiro de Oxossi de Candomblé na Bahia, de Mãe Riso da Plataforma, trazia inclusive cenas de sacrifício animal e texto de Arlindo Silva.

Nascido em Teresina no Piauí no ano de 1921, Medeiros recebeu influência do pai que adorava tirar fotos da família em dias de domingo em praças da capital. Ele possuía um tripé, colocava a máquina e configurava no modo automático e tirava foto dele junto à família.

A primeira máquina de Medeiros foi presente de seu pai para ele realizar seu primeiro trabalho como fotógrafo. Mudou para o Rio de Janeiro em 1939, e trabalhou com foto nas revistas Tabu, Rio e Sombra. Entrou para a revista O Cruzeiro em 1946 e permaneceu por lá por 15 anos. Faleceu em 1990.

“O Cruzeiro passou a ser a etapa final do jornalismo no Brasil, o sonho dourado das pessoas. Um fotógrafo da revista era tão famoso quanto é hoje um galã da Globo. Aonde íamos tinha gente esperando para nos badalar. Cheguei até a dar autógrafos na rua. [...] O fotojornalismo unificou o país através das páginas da revista O Cruzeiro”.
José Medeiros (50 Anos de Fotografia, p. 15 apud COSTA; RODRIGUES, 1995, p. 120
O goleiro uruguaio Máspoli e Augusto, jogador da seleção brasileira, se abraçam após a derrota brasileira na Copa do Mundo de 1950. Rio de Janeiro.

Em 1962, já desligado de O Cruzeiro, ele fundou a agência Image, com Flávio Damm e Yedo Mendonça. Três anos depois, começou a trabalhar em cinema, assinando a direção de fotografia de obras clássicas entre nós, como A falecida (1965), de Leon Hirszman, Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues, e Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos.

A reportagem “As noivas dos deuses sanguinários” foi uma reposta a outra publicação sobre candomblé com o título Les Possédées de Bahia”, publicada pela revista francesa Paris Match, em maio. As fotos foram feitas pelo francês Henri George Clouzot e o texto era pejorativo em relação ao candomblé.
Fonte: Fernando de Tacca (2006, p. 02).

1952: Começa a circular a revista Manchete, da Editora Bloch (de Adolpho Bloch), com a proposta de privilegiar a fotografia como forma narrativa independente do texto. Apoiou e acompanhou a construção de Brasília. Era concorrente da revista O Cruzeiro.

1957: José Medeiros publicou o livro Candomblé com 60 fotos, sendo 38 da reportagem da revista O Cruzeiro, “As noivas dos deuses sanguinários”. Em 2005, o acervo fotográfico de José Medeiros, composto por 20 mil fotogramas, veio integrar definitivamente a coleção do Instituto Moreira Salles (IMS).

1958: Instalação da empresa Fuji no Brasil.

1960: As revistas Realidade e Bondinho e Jornal da Tarde estampam praticamente todas as matérias com fotos em suas páginas.

Dica de Filme:

Sinopse: O bando de cangaceiros do capitão Gaudino (Milton Ribeiro) semeia o terror pela caatinga nordestina. É neste contexto que a professora Maria Clódia (Vanja Orico), raptada durante um assalto do grupo, se apaixona pelo pacífico Teodoro (Alberto Ruschel). O forte amor entre os dois gera grande conflito no bando.
Direção: Lima Barreto, 1953.

Referências:

BUITONI, Dulcilia Schroeder. Fotografia e jornalismo: a informação pela imagem. São Paulo: Saraiva, 2011. (Coleção Introdução ao Jornalismo; v. 6).

COSTA, Helouise; RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ: IPHAN: FUNARTE, 1995.

OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009.

SENAC. DN. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rio de Janeiro: Ed. Senac nacional, 2004.

TACCA,  Fernando de. O Cruzeiro versus Paris Match e Life Magazine: um jogo especular. In:In: Líbero. Ano IX, n. 17, Jun. 2006. Disponível em: http://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2014/05/O-Cruzeiro-versus-Paris-Match-e-Life-Magazine.pdf

sábado, 23 de maio de 2015

História da Fotografia no Brasil - Século XX - de 1931 a 1944

1937: Hildegard Baum Rosenthal nasceu em Zurique, na Suíça, em 1913, e faleceu em São Paulo, em 1990. Vive até a adolescência em Frankfurt, Alemanha, onde estuda Pedagogia, de 1929 a 1933. Mora em Paris entre 1934 e 1935. De volta a Frankfurt, estuda fotografia com Paul Wolff (1887-1951) - um especialista em câmeras de pequeno formato - e técnicas de laboratório no Instituto Gaedel. Em conseqüência do regime nazista transfere-se para São Paulo, em 1937.
Auto-Retrato , ca. 1938.

Em 1937, começa a trabalhar como orientadora de laboratório na empresa de materiais e serviços fotográficos Kosmos. Poucos meses depois, é contratada como fotojornalista pela agência Press Information, e realiza reportagens para periódicos nacionais e internacionais. Nesse período, documenta São Paulo, Rio de Janeiro, o interior paulista e cidades do sul do Brasil, além de retratar diversas personalidades da cena cultural paulistana, como o pintor Lasar Segall e o escritor Guilherme de Almeida. 
Movimento na Sé (São Paulo) [Praça da Sé] , 1939.

Interrompe sua atividade profissional em 1948 com o nascimento da primeira filha. Em 1959, após o falecimento do marido, assume a direção da empresa da família. Suas fotos permanecem pouco conhecidas até 1974, quando o historiador da arte Walter Zanini realiza uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP. No ano seguinte, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo - MIS/SP é inaugurado com a mostra Memória Paulistana, de Hildegard Rosenthal. 
Parada de Bonde [Praça da Sé], ca. 1938.

Em 1996, o Instituto Moreira Salles adquire mais de 3 mil negativos de sua autoria. Rosenthal é considerada a primeira mulher a atuar como fotojornalista no Brasil. Faz parte da geração de fotógrafos europeus que imigram na época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e, atuando na imprensa local, contribuem para renovar a estética fotográfica dos periódicos nacionais.
Mappin [Praça Ramos de Azevedo - São Paulo], ca. 1940.

Suas imagens têm poucos espaços vazios. O negativo é quase todo preenchido com conteúdos apresentados de maneira equilibrada e clara. Valoriza os meios-tons e os detalhes à sombra, o que demonstra sua intenção de registrar o máximo de informações. Rosenthal também realiza fotomontagens para a imprensa nacional. Esses trabalhos, em consonância com o conjunto de sua obra, ilustram aspectos da cidade e situações cotidianas. 
Rua XV de Novembro (São Paulo), ca. 1939.

“Pelo exemplar conhecido (o de um menino-gigante jornaleiro, distribuindo o Jornal da Manhã pelas ruas, muito acima dos edifícios), é de se crer que as fotomontagens de Hildegard se voltassem mais em direção do experimentalismo característico daqueles anos do que num sentido propriamente político”.

Boris Kossoy (2007, p. 91) 
Menino Jornaleiro , 1940. 

1939: “O DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, criado em dezembro de 1939, subordinado diretamente à presidência da República, alimentava os periódicos e cinejornais com materiais de exaltação à figura de Vargas e as realizações do Estado Novo. Durante o período, o DIP aproveitava-se também do rádio, ainda nos seus inícios, para veicular informações oficiais e incessante propaganda do governo. É criada a Hora do Brasil, e o programa entrava no ar entre 19 e 20 horas, horário ‘em que a maior parte das pessoas [já se encontrava] nos seus lares’”.
Boris Kossoy, 2007, p. 121-122

1939: Inaugurado em 28 de abril de 1939 no salão do Edifício Martinelli, no centro da cidade de São Paulo, o Foto Clube Bandeirante formou ao longo da década de 1940 uma sólida estrutura material e atingiu um alto nível de organização interna. O número de sócios crescia a cada mês e já em 1942 o clube promoveu o 1º Salão de Arte Fotográfica de São Paulo, que contou com o apoio da Prefeitura do Município.
Helouise Costa e Renato Rodrigues (1995, p. 43)
Foto da fundação: 28 de abril de 1939 (Acervo Biblioteca FCCB).


1939: Eduardo Salvatore nasceu em São Paulo (1914-2006) e é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, desde 1936. A partir de 1937, dedica-se, como amador e autoditata, à fotografia artística. Foi presidente do Foto Cine Clube Bandeirante em 1943 até 1990, membro dos juris dos Salões, orientador de seminários, integrante de excursões fotográficas, palestrante, escrevia para revistas especializadas.
 
Esquerda: Eduardo Salvatore.
Direita: Sombras da Tarde, 1948.

O trabalho de Salvatore de como fotógrafo traz a geometrização dos motivos e manipulação de claros-escuros radicais. Em 1950, organiza a Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema (CBFC), que reúne os Foto-Clubes do país e representa o Brasil na Fédération International de l'Art Photographique (FIAP), com sede na Suíça. Preside a CBFC de 1950 a 1989. Participa de inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, conquistando reconhecimento internacional.

1939: José Yalenti (1895-1967) foi um dos fundadores do Foto Cine Clube BandeiranteIncorporou a geometrização dos motivos, enfatizando jogos de linhas e planos e descentrando definitivamente o interesse pelos objetos em si. Privilegiou o elemento arquitetônico.

Esquerda embaixo: Paralelas e diagonais, 1945.

1942: O Photo Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, e o Foto Clube Bandeirante, em São Paulo, organizam exposições e o Primeiro Salão Nacional de Fotografia.

1944: A revista O Cruzeiro traz imagens de Jean Manzon do encontro com os índios xavantes, os problemas sociais, os tipos regionais, os trabalhadores, os retratos de políticos e artistas. Estas imagens foram reproduzidas em jornais e revistas estrangeiras. Jean Manzon ajudou a criar a dupla fotógrafo-repórter, ao lado de David Nasser, produziu mais de 300 reportagens entre 1943 a 1951.
Esquerda: Jean Manzon.
Direita: Portinari.

Jean Manzon nasceu em Paris, França, em 1915 e faleceu em São Paulo, em 1990. Iniciou a carreira como repórter fotográfico do jornal Paris Soir e, posteriormente, integrou a equipe de jornalistas que fundou o Paris Match. Em 1940, conheceu o cineasta Alberto Cavalcanti e, influenciado por ele, decidiu vir para o Brasil. Fixou-se no Rio de Janeiro, onde exerceu uma intensa atividade profissional. Jean Manzon colaborou com as revistas ilustradas dos Diários Associados e, especialmente, com a revista O Cruzeiro (1943-1952), inovando a reportagem fotográfica no Brasil. 
Esquerda: Villa Lobos.
Direita: Carmem Miranda.

Em 1952, fundou a empresa cinematográfica Jean Manzon Produções, produzindo, ao longo de sua vida, cerca de 900 documentários, na maioria sobre o povo, a cultura e as cidades brasileiras. Em 1966, recebeu o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza, Itália, pelo filme documentário L'Amazone.
Esquerda: Hugo Borghi, c. 1950.
Direita: Juscelino Kubitschek e Lucio Costa, Brasília, c. 1957.

Dica de Filme:

Sinopse: Berlim, início do século XX. Olga Benário (Camila Morgado) é uma jovem judia alemã. Militante comunista, é perseguida pela polícia e foge para Moscou, onde recebe treinamento militar e é encarregada de acompanhar Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler) de volta ao Brasil. Na viagem, enquanto planejam a Intentona Comunista contra o presidente Getúlio Vargas, os dois acabam apaixonando-se. Parceiros na vida e na política, Olga e Prestes terão de lutar pelo amor, pelo comunismo e, principalmente, pela sobrevivência.
Direção: Jayme Monjardim, 2004.

Referências: 

COSTA, Helouise; RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ: IPHAN: FUNARTE, 1995.

KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007.

OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009.

SENAC. DN. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rose Zuanetti; Elizabeth Real, Nelson Martins et al. Rio de Janeiro: Ed. Senac nacional, 2004.